terça-feira, 26 de setembro de 2017

Resenha: A Hora da Estrela

   Olá, metamorphyos! Como vocês estão? Trouxe a resenha de um livro que muito provavelmente vocês já leram, mas sempre vale a pena falar sobre ele: A Hora da Estrela, da maravilhosa e eterna Clarice Lispector. Vem comigo dar uma olhada nessa edição lindíssima da Rocco!

      A Hora da Estrela é o último livro escrito pela Clarice Lispector em vida, em 1977. Clarice descobriu, pouco após terminar seus manuscritos, a existência de um câncer que a levou a termo. Diz-se que o livro é a expressão máxima e final de sua alma, e com certeza um de seus mais belos trabalhos.
"Juro que esse livro é feito sem palavras. É uma fotografia muda.
Este livro é um silêncio. Este livro é uma pergunta."

   A Hora da Estrela é considerado um dos livros mais importantes da literatura moderna brasileira e bastante utilizado em estudos escolares, acadêmicos e quase sempre cobrado em vestibulares e demais Exames Nacionais. E é por esse motivo que possivelmente vocês já tiveram algum contato com Clarice. Mas deixe-me dizer que essa é a razão errada para ler uma das nossas maiores autoras. Ler Clarice faz bem pra mente, pra vida, pra alma. Você não vai encontrar nada parecido em nenhum outro livro, jamais.
“[...] limito-me a contar as fracas aventuras
 de uma moça numa cidade toda feita contra ela.”

   Mas vamos fazer um acordo antes de eu falar da história: vamos esquecer o preconceito que temos contra clássicos e deixar de lado a visão de que livros antigos e consagrados são "chatos". Vamos dar uma chance. Se você nunca leu Clarice, vai se surpreender com uma escrita rápida, fluida, fácil. Uma conversa aberta entre escritora e leitor. Apesar de cheia de reflexões e até mesmo poética, Clarice nunca foi de dificultar, florear e encher seu texto de firulas. Pelo contrário, lê-se de uma tacada só e nos transformamos a cada frase.
Aparência do livro em capa dura.
   "[...] ela era incompetente. Incompetente para a vida. Faltava-lhe o jeito de se ajeitar.”

   Vamos acompanhar, através de um narrador que assina como Rodrigo, a vida de Macabéa, uma nordestina pobre de dinheiro, de vida, de espírito, de vontade, de oportunidade. É a saga dos anônimos, aquelas pessoas que são tão rejeitadas pela sociedade que passamos todos os dias por elas e não nos damos conta da sua existência. Em pouquíssimas páginas, Clarice nos transporta para Maca e nos propõe um verdadeiro exercício de empatia.
“Quando penso que eu podia ter nascido ela – e por que não? – estremeço.”

    Macabéa poderia ser qualquer um de nós. Tão indiferente, tão excluída, tão alienada, tão pisoteada e esmagada pela vida... tão humana. A personagem é tão real que quase podemos tocá-la e não nos resta outra vontade senão pegá-la no colo, abraçá-la e fazê-la feliz. 
   Mas Clarice não nos poupa emoções. Mesmo quando já estamos abalados com o relato da sequência desastrosa que é a vida de Maca, Clarice nos dá outro soco no estômago. Quantas Macabéas existem por aí nesse momento e estamos aqui, nos compadecendo da personagem enquanto esquecemos de quem está bem na nossa frente e não conseguimos ver? Não tem como sair dessa experiência ileso, asseguro a vocês.

“Em todo caso o futuro parecia vir a ser muito melhor. Pelo menos o futuro 
tinha a vantagem de não ser o presente, sempre há um melhor para o ruim.”

    Digo a vocês que eu já conhecia o livro desde a minha adolescência, já sabia o destino de Macabéa, já sabia o que esperar. Ainda assim, Clarice fez sua mágica e me pôs a chorar. Em público, inclusive. São tantas emoções que essa maga da literatura nos provoca que é difícil descrever para vocês, só lendo. Quem não se sente na pele de Macabéa, em seu corpo subnutrido existindo de sanduíche de mortadela e coca-cola, sinto muito, mas nem gente é.
   Quero ressaltar, por fim, essa edição maravilhosa que a Rocco fez em comemoração ao aniversário de 40 anos da primeira publicação. Como vocês já devem estar vendo nas fotos, o livro, em capa dura, é lindíssimo. Além da história encontramos também vários fragmentos dos manuscritos originais do livro em papel couchê brilhante, tudo de excelente qualidade. A própria capa é, na verdade, apenas uma cobertura para a capa dura em si, com um efeito de transparência lindo.
    Além disso, temos também alguns ensaios sobre o livro e um relato da revisora responsável por essa edição comemorativa incrível. Claro que, dependendo do seu amor por Clarice e orçamento, a edição mais simples é mais em conta, mas por que não ter uma lindeza dessas na sua estante se você pode? Valeu a pena cada centavo de investimento.

"O pecado me atrai, o que é proibido me fascina."

A Hora da Estrela - Clarice Lispector
Ano: 1977 | Edição Comemorativa: 2017
Páginas: 224 | Editora: Rocco



    Metamorphyo, seja você fã de Clarice ou não, leia! Apenas leia! Juro que ninguém consegue resistir aos encantos dessa autora que é um dos maiores expoentes da nossa literatura, e não é a toa que recebe essa fama. Você não será o mesmo depois de compartilhar sua alma com a pobre e doce Macabéa.

    Espero que tenham gostado! Me contem se já leram, quais impressões tiraram de A Hora da Estrela nos comentários!

Beijos e até a próxima!

16 comentários:

  1. Olá!!
    Que edição maravilhosa! Eu fiquei apaixonada! Amei os fragmentos de manuscritos do texto original. Belo trabalho da editora.
    Eu sou apaixonada por Clarice e sempre que a gente ler algo de sua autoria é difícil sair a mesma pessoa. É forte e emocionante demais.
    Parabéns pela excelente resenha!
    bjs

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  2. ooi tudo bem ? eu achei um livro super bacana e os temas que aborda bem interessante é tao bom um livro que nos prende assim
    BLOG♥ Coisas da Vida

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  3. Nossa, que edição incrível.
    Adorei. Já tive minha fase de Clarice. Li e reli muitas coisas dela. Era dela as frases que anotava em meu diário-agenda. Mas, hoje não me interesso muito por ela. É como no poema de Cecília 'tenho fases como a lua'. Pode ser que amanhã isso mude. Voltei a ler Dostoiévski depois de anos. Estou com a coleção completa do russo em minha mesa e a devorá-lo com muita intensidade.

    Eu não acho que os clássicos são chatos, mas acho que a questão é a idade com que se lê esses livros. Acho meio bizarro ler Machado de Assis aos treze anos. Acho que nem e possível compreendê-lo direito nessa idade. Enfim, acho que leitura precisa de paixão. rs

    Bacio

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  4. Fiquei entusiasmada com esta nova edição transformando um clássico sempre atual.Eu li esse livro há alguns anos mas não consigo me recordar nitidamente do enredo da história.Vou reler,adoro Clarisse é umas das minhas referências de linguagem e escrita.Grande Beijo!!!

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  5. Oi meninas, tudo bem? Diferente de outras pessoas nunca pensei que livros clássicos são chatos, pelo contrário sempre preferi lê-los ao invés de alguns mais novos. O que mais me chama atenção nessas edições é a linguagem rebuscada. Sou daquelas que ama aprender palavras novas, conhecer expressões que não são mais usadas, enfim, é um mundo completamente diferente do nosso. Um clássico que gosto muito é Dom Casmurro. Esse da Clarice ainda não li mas gostei muito da indicação. Beijos, Érika *-*

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  6. Oi,
    Tudo? Que edição maravilhosa fico feliz que a editora se puxou para dar enfâse a esse livro. Eu só vi o filme até o momento não tive oportunidade de ler o livro ainda,mas pelo que escuto falar Clarice é uma referência em literatura então está na minha lista de desejados quem sabe algum dia.
    Beijos
    Raquel Machado
    Leitura Kriativa
    http://leiturakriativa.blogspot.com.br/

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  7. Olá!! :)

    Eu confesso que nunca tinha ouvido falar deste livro... Mas ainda bem que gostaste assim tanto!!

    Confesso que não fiquei muito interessado na leitura, não obstante todo o teu entusiasmo. De qualquer das formas, adorei a parte gráfica que me chegou através das fotografias!

    Boas leituras!! ;)
    no-conforto-dos-livros.webnode.com

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  8. Oie,
    Até hoje não tive a oportunidade de ler nada da autora, exceto frases soltas que sempre vejo pela internet. A paixão que você usa para descrever o livro me encantou e com certeza irei anotar a dica. Também acho que devemos deixar de lado os preconceitos pois clássicos são realmente MUITO bons!
    Beijos
    Blog Relicário de Papel

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  9. Oi Amanda, Clarice é muito boa, mas faz tempo que não leio algo dela. A editora está de parabéns pela homenagem mais do que merecida.
    Bjs, Rose.

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  10. Quero tanto essa edição! Esse é um dos livros preferidos. A primeira vez que eu li estava na universidade e, desde então, tenho relido algumas vez. Agora mesmo estou relendo porque estou lendo outro livro sobre escrita literária que traz A hora da estrela como referência.

    Beijos

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  11. Olá! Já tinha lido um livro de poesias da Clarice e fiquei encantada com sua escrita. com certeza esse livro deve ser o mais emocional de todos, já que ela estava doente, deve ter posto todo seu amor nesse livro, beijos!

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  12. Oi, tudo bem?
    Bom, não tenho preconceito contra clássicos, e o livro me parece ótimo, mas tenho tanta coisa aqui esperando para ser lida que nem sei se conseguiria ler este.
    Bjs

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  13. Já li o livro, mas não me recordo muito da história, mas sei que selecionou mais trechos maras. Gostei de ver você resenhando um livro que é considerado um clássico. Acho que dá um incentivo para gente deixar um pouco o preconceito ou o trauma do livros de vestibular de lado. Parabéns pela resenha.

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  14. Eu ainda não li nada da autora, mas tenho muita vontade. Achei essa edição maravilhosa e gostei de ver a sua resenha sobre o livro.

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  15. Nossa, li esse livro faz tempo já, e foi o primeiro livro que li da Clarice e eu por algum motivo esperava uma história bem romântica e me surpreendi em dobro com a história. Realmente foi um livro que me marcou muito e me senti triste, inspirada e mais uma porção de sentimento que Clarice nos desperta. Deu até vontade de reler com essa resenha maravilhosa.

    https://aaquariana.wordpress.com/

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  16. Olá,

    Uma das minhas metas literária é ler esse livro, li comentários muitos positivos sobre e sempre tive curiosidade em ler um livro inteiro dela, tudo o que já li até hoje foram trechos de seus textos.

    Beijos,
    oculoselivrosblog.blogspot.com.br/

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