segunda-feira, 3 de abril de 2017

Resenha: Americanah - Racismo, Imigração e o Poder do Diálogo

  Olá metamorphyos! Essa é minha primeira postagem aqui, e para marcar esse momento especial, eu quero falar com vocês de um livro que mexeu comigo, me fez repensar meus conceitos e se tornou um daqueles livros que moram dentro da gente, sabe, que a história vira parte de quem somos.Vocês conhecem esse livro? Já ouviram falar da autora? Vem compartilhar com a gente!


  Eu li Americanah no início desse ano, após já conhecer a autora por seus discursos poderosíssimos no TED, e me surpreendi com a força da literatura africana (nigeriana, para ser exata).

Americanah
 Autora: Chimamanda Ngozi Adichie
Ano: 2013
Editora: Companhia das Letras 

"Mas raça não é biologia; raça é sociologia. Raça não é genótipo, é fenótipo. A raça
importa por causa do racismo. E o racismo é absurdo porque gira em torno da
aparência. Não do sangue que corre nas suas veias. Gira em torno do tom da sua pele,
do formato do seu nariz, dos cachos do seu cabelo."

  Em época de tanto discurso de ódio contra as diferenças e com a questão da imigração provocando reações e opiniões intensas, descobrimos no romance contemporâneo da maravilhosa Chimamanda que a interação, o respeito a si mesmo e ao outro, o diálogo aberto e os questionamentos, em vez da simples aceitação diante dos problemas, abrem caminhos inesperadamente positivos na luta contra o preconceito e a discriminação. Esse não é um livro de militância, e tampouco é um livro de amor - como classifica a contra capa, mas sim um livros de amores, no plural. O amor de Ifemelu por Obinze, o amor próprio que ela aprende a ter, o amor pelos seus sonhos e projetos, pela sua profissão, pelas suas conquistas, pela Nigéria e seu povo são o norte de todo o livro.

  Acompanhamos as vidas dos jovens Ifem e Obinze e seu romance, enquanto vivem na Nigéria, sob um regime político repressor e ditatorial. Eles veem a situação piorar e seu país se afundar numa grande crise. Personagens fortes e marcantes permeiam a história, a mãe fechada, rigorosa, o pai desempregado e sensível, a tia batalhadora, as amigas que só desejam o estilo de vida norte americano e um marido rico, entre muitos outros, junto com os vários acontecimentos, são responsáveis pela construção de caráter e desenvolvimento e evolução dos dois.

"Aquele cartão de crédito pré-aprovado, com seu nome escrito corretamente e num
itálico elegante deixara-a mais animada, fizera-a sentir-se menos invisível,
um pouco mais presente. Alguém a conhecia."


  De um espírito inventivo e inquieto, Ifemelu procura respostas para seus sonhos nos Estados Unidos, consegue um passaporte de estudante universitária e muda-se para começar uma nova vida, onde encontra dificuldades, preconceito, inquietações e desespero. Conforme avançamos pela história, muitos pensamentos e reflexões são trazidos à tona: o racismo, a discriminação existente entre negros americanos, negros africanos, latinos, brancos, e, inclusive, contra mulheres. Constantemente nos pegamos chocados e confusos ao refletir  sobre os nossos próprios pré-conceitos durante toda a narrativa - e isso é o melhor. É preciso que mexa com a gente, que algo nos incomode para que possamos aprender.

  Ifemelu decide, então, escrever um blog e, por conta de sua perspectiva única de nigeriana em um país estrangeiro, alcança muita visibilidade e sucesso, mas o sentimento de saudade da sua terra natal e do seu amor toma conta dela e a movem em outra direção, ciente do seu potencial, empoderada, questionadora, experiente e livre.

"As minorias raciais americanas - negros, hispânicos, asiáticos e judeus - todas
sofrem merda na mão dos brancos, merdas diferentes, mas merda mesmo assim.
Cada uma secretamente acredita que sua merda é a pior. Então, não, não existe
uma Liga Unida dos Oprimidos. No entanto, todos os outros acham que são
melhores do que os negros porque, bem, eles não são negros."


  Americanah é mais do que um livro, é uma crítica dura, porém despretensiosa, um tapa na cara dos nossos preconceitos dado com a inversão de perspectiva que a autora propõe a nós, ocidentais, que ainda acreditamos numa história mal contada de que a África é inferior, de que alguém é inferior a nós por alguma característica física, por sua cultura. É mais que um belo romance, é uma lição.

Fonte: BlackFilm.com

  A história deverá ser adaptada para o cinema, pela produtora Plan B, do Brad Pitt, estrelando Lupita Nyong'o como Ifemelu e David Oyelowo como Obinze. O filme ainda está em fase de desenvolvimento.

  E aí, vocês já conheciam o livro ou a autora? Têm uma opinião diferente? E se não conheciam, se interessaram? Deixem sua opinião!

10 comentários:

  1. Não conhecia o livro, nem a autora, mas achei interessante a indicação. Vou colocar na minha lista de livros pra ler ainda esse ano. ;)

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    1. Que bom que gostou da indicação! Tenho certeza que vai aproveitar a leitura. =) Beijos!

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  2. Olá Amanda! Muito legal sua dica de livro. Se virar filme com certeza vai fazer bastante sucesso.Já está na listinha para leitura, haha
    Seguindo o blog, tudo de bom para vc!
    emfluencianoingles.blogspot.com.br

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    1. Oi, querida! Que bom que gostou! Estamos no aguardo do filme, rsrs.
      Vou olhar seu blog com calma, achei bem interessante! Tudo de bom, beijinhos.

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  3. Ainda não li, mas esse é um dos que eu quero muito. Conheço os discursos da Chimamanda e, tipo, como vc disse, são poderosos, mas ao mesmo de uma suavidade e de uma serenidade que parece que faz o tapa doer ainda mais. A história desse livro se parece muito com a sua história de vida que ela conta naquele vídeo 'O perigo da história única', e depois de saber disso, só me deu MAIS vontade de ler, porque dá pra perceber que o livro, ficcionalizado, claro, carrega muito da sua vida.

    Obrigada pela indicação e resenha linda. Simplesmente AMEI você rechear seu texto com citações do livro

    Bjoo!

    Lady Salieri
    http://www.visaoperiferica.com

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    1. Fiquei muito feliz com o seu comentário! Eu senti muito da Chimamanda na Ifemelu, na trajetória da personagem, no jeitinho doce e explosivo. Acredito que você vai adorar a leitura!

      Obrigada pelos elogios! Beijinho!

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  4. Eu preciso ler esse livro. Li há algumas semanas Sejamos Todos Feministas e, quando acabei, além de querer aplaudir, eu queria abraçar a Chimamanda.
    Como essa mulher é incrível. Ouvi falar dos livros dela e já coloquei todos na minha lista de desejos.
    Adorei a resenha, como você falou do livro e todas as perspectivas que ele lhe trouxe. Como você bem colocou, tem que incomodar mesmo, para a gente sair do lugar comum e buscar ser melhor e fazer um mundo melhor.
    <3
    xoxo

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    1. Oi Rê! Fico feliz que tenha gostado!
      A Chimamanda é incrível mesmo, os discursos dela são tão sensíveis e inteligentes. Ela fala o que deveria ser óbvio, mas nós nunca paramos para refletir sobre esses problemas.

      Beijo! <3

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  5. Oiii tudo bem?
    Eu realmente não conhecia esse livro e com toda certeza adoraria ter a oportunidade, além do mais traz um assunto bastante importante.
    Abraços

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    1. Oi Morgana! Realmente o assunto é importante. Acredito que todo mundo deveria ler Americanah e refletir sobre toda essa questão racial, conforme a Chimamanda expõe nos seus livros.

      Beijos!

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