sábado, 25 de março de 2017

#4 - Aquela Memória

  Olá metamorphyos! Como vocês estão?! Vamos a continuação da história em mais um desafio da imagem? E bom, fiquei de falar um pouquinho sobre essa história pra vocês então vou aproveitar este post e explicar qual a intenção ok?



  Os grupo Café com Blog e o Interative-se lançam desafios da imagem e palavra todo mês e, sempre gostei muito de escrever histórias então, como textos autorais, resolvi me arriscar trazendo esta história para vocês metamorphyos, sempre criando cada parte dela de acordo com a imagem/palavra que me foi dada em casa desafio. Confesso que, é um tipo de texto bem diferente dos que estava acostumada a fazer, com temática diferente mas, espero que vocês acompanhem a história da Melissa comigo pois, podem ter certeza, que escreve de coração para vocês!

  Antes de lerem essa parte, convido a quem ainda não conhece, ler as primeiras parte:

  Sem mais enrolação, dá o play na música e vem comigo metamorphyo, conferir esta terceira parte!


  Não sei o que dizer sobre essas últimas horas. Acho que minha cabeça ainda não conseguiu encaixar todas as peças.

  Dante me deixou em casa, ainda nem era hora do almoço. Eu não sei o que tudo isso significava ou até onde iria nos levar. Confesso que o que ele me perguntou foi intrigante. Ele sabe que sempre estive ao lado dele, independente de todo este tempo que passou mas, eu nunca o vi como alguém que houvesse feito coisas ruins. Adentrei o prédio, não estava a fim de encontrar ninguém, subi pelas escadas. Era silencioso. A luz entrava por algumas pequenas janelas mas o tempo permanecia nublado. Nem me dei conta que já estava em frente a porta do apartamento.

  Entrei. Joguei as chaves e o telefone sobre a mesa da sala antes que eu mesma me jogasse no sofá. Ainda precisava trabalhar, finalizar uma matéria para enviar mas, tudo parecia confuso. Fiquei encarando o teto por alguns minutos. Dante fazia com que eu me sentisse viva, de um modo diferente. Por que iria me iludir? Talvez eu desejasse isso neste momento, voltar a me sentir viva.

  Estiquei a mão para o alto cerrando o punho. Aquelas marcas continuavam ali, hoje bem mais imperceptíveis mas, uma delas havia feito uma cicatriz mais profunda. Quando meu mundo desmoronou por vezes, quando eu cedi, ele estava lá por mim. Na verdade, se ele não estivesse lá naquele dia, o agora não seria possível. Fechei os olhos e sorri.

  Me levantei e caminhei em direção a estante. Haviam tantos livros ali mas confesso que nunca fui uma pessoa das mais organizadas e, costuma guardar vários álbuns ali pelos meios. Procurei um em específico. 10 anos atrás. Um álbum de capa preta com algumas colagens em seu exterior, folhas coloridas aonde as fotos ficavam fixadas...Sentei-me ali no chão, encostada na estante, liguei o rádio enquanto folheava as fotos.

  Sempre busquei ser o meu melhor mas aquela época não foi linda. Eu fingia por fora que estava tudo bem, queria ver as pessoas a minha volta bem, isso era bom sabe, mesmo que ninguém enxergasse as feridas daqui de dentro mas, poucas pessoas sabiam a real situação. Dante era um dos únicos e, ele fazia de tudo pra me ver mais 'leve', ele dizia que estava ok se não eu não estivesse bem, que ele faria o que eu pedisse pra me ver sorrir. Ele era um idiota - eu ri ao lembrar disso - e céus, as garotas me odiavam por isso, por ser sua melhor amiga.

  Respirei fundo. Não gostava muito de me recordar daquilo: estava tão cansada de tentar ser a filha ideal para minha mãe e, por algum motivo que nunca entendi, acho que ela me culpava por meu pai ter ido embora de casa. Sinceramente, eu nem me lembro direito do rosto dele, acho que tinha uns cinco anos. Eu ajudava em casa, ajudava ela em tudo que podia... Então vieram as bebidas e ela fica muito fora de si logo, as agressões psicológicas e físicas. Mas eu continuei lá, firme, por ela. Era minha mãe e, quantas vezes não limpei a bagunça dela... Mas naquele dia, não importava mais. Nem me recordo o porque, apenas me recordo da surra que ela me deu durante toda a semana e ela dizia que nunca bateria em meu rosto apenas para que eu escondesse do mundo a vergonha que eu era.

  Quando cheguei em casa naquela tarde, tudo estava revirado, as minhas roupas espalhadas por todos os lados, algumas rasgadas... Acho que naquele momento fraquejei, como se fosse o fundo do poço. Quem dera eu soubesse naquela época que o fundo do poço era o melhor local para ganhar impulso e subir novamente. Liguei o chuveiro, a água quente, não me dei ao trabalho de tirar a roupa. Eu liguei para o Dante avisando que não iria poder encontrar com o pessoal mais tarde para estudarmos; apenas isso. Não sentia vontade de falar. Ouvia ele do outro lado da linha perguntando se estava tudo bem, perguntando porque eu não respondia, simplesmente desliguei na cara dele.

  Eu fui para o chuveiro, me sentei no chão, minha cabeça doia intensamente, o estômago revirava e meus olhos estavam inchados e ardiam. Dali pra frente eu não me recordava de muita coisa, apenas flashs. Sentia a mão pesar nos pulsos, a princípio foi doloroso mas foi passando aos poucos... Não sei quanto tempo se passou. Ainda estava um pouco consciente quando ouvi batidas na porta e o telefone começar a tocar. As batidas ficavam mais fortes mas, de repente o som foi se perdendo.

  Por mais que eu forçasse nesses anos todos eu simplesmente não me lembro. Novamente, apenas flashs. Ouvia a sua voz, distante, ecoava.

  - Melissa! Droga Melissa! ... Sim! Eu preciso de uma ambulância ... rua... ela vai morrer! - era um Dante jovem, que me fitava com olhos que nunca havia visto, ele estava ensopado e com um dos braços apoiava meu corpo.


  Senti os olhos encherem d'água e as lágrimas escorrerem, olhei em volta e estava em meu apartamento, viva. Tão viva quanto a planta ao meu lado.

  Dante nunca me culpou, na verdade ele mal tocava naquele assunto mas, dizem que apaguei por dois dias e, quando acordei no hospital ele estava lá e, acho que foi uma das poucas vezes que ele brigou comigo.

  - Dante? - olhei para os lados tentando entender aonde eu estava. - O quê?

  Ele se levantou e colocou as mãos em meu ombro, tinha um olhar sério para um garoto de 16 anos que era popular.

  - Olha, não força pra levantar tá? Vou chamar alguém... E, Mel... Antes que a Lisa e o Theo cheguem me ouve... A gente não pode te perder tá bom? Você... - os olhos dele começaram a se encher, só havia visto Dante chorar quando perdera seu cachorro quando éramos crianças. Ele continuou - mas que merda Melissa! Você tava morrendo! Eu não sabia o que fazer com você! - e naquele instante ele não se conteve e ele chorava e tudo o que eu consegui responder foi 'desculpa'.

  A música ainda tocava e eu me libertei daquela lembrança ruim. Não foram dias fáceis ainda os que se sucederam aquilo. Ele não me abandonou quando eu quis me abandonar. Ele se manteve firme em todas as decisões que tomei e, o tempo acabou afastando a gente. Talvez ele não saiba mas, ele era um dos poucos motivos que me faziam ser apegada a vida. Quando fomos pra faculdade acabamos nos afastando, tudo bem, era a vida mas, ele havia me ajudando tanto todos esses anos que, vê-lo conquistando tantas coisas agora, não era justo atrasá-lo... Faziam cinco anos que não nos víamos... Cinco anos mudam tanto a gente não é?

  Me levantei, limpei o rosto e guardei o álbum no lugar. Respirei fundo e eu entendi, não era nada errado, eu estava apenas vivendo, deixando as coisas acontecerem... Dante havia dito para que eu pensasse na resposta apesar de ter respondido no mesmo instante que ele havia me perguntado se eu ficaria ao lado dele. Peguei o celular e lhe enviei uma mensagem:

"Quando ninguém me via de verdade você
estava comigo, tanto para rir ou para
chorar, por anos você esteve Dante.
Eu não vou deixar de estar ao seu lado,
nunca... Obrigada por tudo esses
anos..."

  Tudo estava bem. Finalmente peguei minhas anotações sobre a mesa e liguei o computador. Estava mais fácil agora, conseguiria trabalhar melhor. Não sei o que ele entenderia da mensagem mas, tudo bem. Tempo ao tempo. Ah Melissa; apenas deixa as coisas acontecerem...


  A imagem do 'Desafio da Imagem' é a que ilustra esse post. O que acharam metamoprhyos? Espero que tenham gostado, que estejam 'sentindo' a Melissa tanto quanto eu. Conto com a opinião de vocês!

Beijos e até!

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