quarta-feira, 26 de julho de 2017

Resenha: O Conto da Aia

   Olá metamorphyos! O post de hoje é a resenha de O Conto da Aia, esse livro que tem circulado bastante pela internet nos últimos meses, em especial por causa da estréia de uma adaptação que foi super aclamada. Vem comigo que eu conto pra vocês por que todo mundo só fala sobre ele!

O Conto da Aia (The Handmaid's Tale) - Margaret Atwood
Ano: 1985 | Editora: Rocco | Páginas: 368

   O que torna um livro um instrumento de formação de ideias? Seu poder crítico e reflexivo? A realidade exposta em forma de arte? A beleza das palavras, a fantasia, o sonho (ou pesadelo)? Acho que muitos fatores contribuem na influência que os livros exercem sobre nós e bons escritores sabem explorá-los e nos transformar. Mas e excelentes escritores? É o caso de Margaret Atwood e sua denúncia social traduzida em belas e vívidas palavras, com as quais ela não apenas forma ideias como muda completamente a nossa perspectiva em apenas 368 páginas.
"Por que estou com medo? Não violei quaisquer limites, [...]. É a escolha
que me apavora. Uma saída, uma salvação."

   O futuro é um pesadelo. Não existe mais EUA, apenas a República de Gilead, um lugar devastado pela guerra civil religiosa que fez e ainda faz inúmeras vítimas, inclusive entre aqueles que ainda não nasceram. É que a taxa de fertilidade e natalidade caíram assustadoramente com a exposição à radiação e agora poucas são as mulheres que conseguem conceber, e muito menos são aqueles que conseguem nascer sem alguma deformação grave e com saúde. 

   Apegados à uma religião puritana extremista, os governantes chegam a uma solução: tomar servas (Aias) férteis e distribuí-las entre famílias que desejam um bebê e podem pagar por isso. Verdadeiras propriedades, e muito valiosas, essas mulheres têm suas vidas despedaçadas e esquecidas em um passado não tão distante assim e passam a ser meros objetos de procriação.
"A sanidade é um bem valioso; eu a guardo escondida como as pessoas
 antigamente escondiam dinheiro. Eu economizo sanidade, de maneira
 a vir a ter o suficiente, quando chegar a hora."

   Quem nos conta a história é Offred (mas esse não é o seu nome, apenas uma indicação de posse: Of Fred - Do Fred) com uma narrativa fluída, fácil e direta, como se dialogando conosco. A partir de suas memórias sabemos um pouco do que aconteceu, como tentou fugir com o marido e a filhinha e foram pegos e separados, como seus direitos civis foram reduzidos ao mínimo, o que aconteceu com o país. São lembranças dolorosas e carregadas de tanto sentimento que é impossível não nos emocionarmos.
"Essa é uma das coisas que eles fazem: obrigam você a matar, dentro de você."

   Ainda pior do que sofrer junto com Offred por seu passado, pelo que deixou de ter, é sofrer pelo agora. Margaret Atwood mexe de tal forma com o nosso psicológico que não precisa nem apelar para cenas fortes. Violência, maldades... nada se compara ao horror que sentimos em uma simples caminhada e à apreensão que sentimos com a rotina de Offred. Não vou mentir para vocês, a leitura é pesada. É triste, é amarga, ultrajante, humilhante e cruel. Especialmente se você for mulher. A dor das Aias é a tradução dos medos que sentimos há séculos e está aí até hoje.
"Tenho o pão suficiente de cada dia, então não perderei tempo com isso.
Não é o problema principal. O problema é engoli-lo sem sufocar com ele."

   Mas esse não é um livro "para mulheres". É um livro para todos, especialmente para os homens. É importante que estejamos sempre discutindo esse livro para que a gente nunca permita que esse seja o nosso futuro. É por isso que lemos distopias, tantas vezes pessimistas e revolucionários, para não deixar que o mundo caminhe por rumos tão detestáveis. Apesar de ter sido escrito em 1985, O Conto da Aia é mais atual do que nunca e a realidade que ele descreve, ainda que fantasiosa, é aterrorizante e possível e temos o dever de criticar e questionar. Nós, mulheres, não somos objetos.
"Vendo, pois, Raquel que não dava filhos a Jacob,
teve Raquel inveja da sua irmã, e disse a Jacob:
Dá-me filhos, ou senão eu morro.

Então se acendeu a ira de Jacob contra Raquel e disse:
Estou eu no lugar de Deus, que te impediu
o fruto de teu ventre?

E ela lhe disse: Eis aqui a minha serva, Bilha;
Entra nela para que tenha filhos sobre os meus joelhos,
e eu, assim, receba filhos pro ela."
- Gênesis, 30:1-3

   Por fim, o livro faz uma forte crítica também à religião. Veja bem, não quero levantar polêmicas nem ofensas, mas vemos diariamente o que o fanatismo religioso provoca pelo mundo. A crítica não é direcionada à uma religião em específico, e sim às interpretações tortas que algumas pessoas fazem e pregam e as consequências disso. O perigo da falta de informação e de uma visão mais ampla e o controle que pode ser exercido sobre aqueles que seguem sem contestar. No livro, tudo se baseia em conceitos sem contexto aplicados arbitrariamente como a palavra de Deus. 

   O Conto da Aia não é uma leitura para mero entretenimento, é uma crítica a nós mesmos que nos deixamos levar por governos opressores, que somos esmagados e diminuídos. Que nos calamos diante das diferenças sociais e deixamos que corram soltas, que nos conformamos. E é uma crítica àqueles que exploram cada ponto fraco da sociedade e não são afetados pelas próprias leis. Será que lembra alguma coisa?
NOLITE TE BASTARDES CARBORUNDORUM
Não deixe que os bastardos esmaguem você.


   Essa, sem dúvidas, foi a melhor leitura que eu fiz até agora em 2017 e eu precisava falar sobre ela com vocês. O Conto da Aia é chocante, mas é um choque de realidade que precisamos ter de vez em quando. Ah! O livro ganhou uma adaptação que está maravilhosa e, inclusive, está concorrendo ao Emmy 2017 em várias categorias, The Handmaid's Tale, do serviço de stream Hulu (aqui no Brasil, infelizmente, precisamos baixar para assistir). Vale a pena assistir também!

   Vocês já conheciam O Conto da Aia? Me contem tudo nos comentários! Boa leitura! <3

Beijos e até a próxima!

sábado, 22 de julho de 2017

Resenha: Vocação Para o Mal

  Olá metamorphyos! Continuando a série do detetive Cormoran Strike, trago para vocês a minha opinião sobre o último volume publicado, Vocação Para o Mal. Vem comigo que eu conto tudo. <3

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Indicação de Anime: Blood +

   Olá, metamorphyos! Hoje trouxe uma indicação um pouquinho diferentes para vocês: o anime Blood + (Blood Plus). Vem conhecer um pouquinho!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Assisti: Power Rangers

  Olá metamorphyos! Como vocês estão? Depois de quase quinze anos me peguei esperando ansiosamente para ouvir a frase 'é hora de morfar' novamente e, o post de hoje é pra falar um pouquinho sobre o novo filme de Power Rangers que estreou este ano. Então, vem comigo!